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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Um girassol diante da riqueza que é o ser humano!

Quando a teologia assumia o papel de ideologia dominante de uma sociedade, ela pretendia apresentar uma visão completa do homem e do seu lugar no mundo. À medida que surgiam novas ciências do homem, novos descobrimentos e novos conceitos, a teologia procurava integrá-los na sua síntese. Se ela não tivesse sido capaz de sintetizar todos os conhecimentos, ela teria deixado de ser capaz de orientar a sociedade. Mesmo depois de terem perdido de fato o controle da sociedade ocidental, os teólogos continuaram ainda durante várias gerações a idealizar uma visão total do homem, capaz de oferecer pelo menos o equivalente das grandes ideologias que ambicionavam a conquista intelectual do mundo.
Desde o momento que a teologia faz a opção pelos pobres, fica claro que ela abandona o projeto de fornecer a uma sociedade a ideologia que vai orientar a sua classe dominante. Sempre haverá ideologias e visões globais do mundo e do homem para orientar as sociedades políticas, as culturas e as civilizações. A teologia cristã desiste desse papel. Na América latina ela o exerceu durante várias gerações depois da ruína dos impérios coloniais. Manteve uma nostalgia desse papel durante várias gerações depois da ruína destes mesmos impérios. Depois de Medellín e Puebla ela renunciou, pelo menos oficialmente.
A teologia não assume também o papel de ser uma síntese ou uma enciclopédia das ciências humanas. Esta seria uma tarefa impossível e vã em que os teólogos perderiam a sua identidade sem proveito nenhum.
A teologia nem sequer pode assumir o papel de teoria geral da libertação da humanidade. Em primeiro lugar não pode existir teoria semelhante que já traria em si as sementes de dominações futuras. Em segundo lugar nem o cristianismo, nem a Igreja, nem a teologia tem uma missão dentro da libertação da humanidade e a serviço dela; mas Deus não lhes confiou a missão de planejar, liderar, conduzir como num processo único ou sintético. Esta foi, dizem os críticos, a tentação própria da Igreja do Ocidente, a que motivou os protestos tanto dos orientais como dos reformadores do século XVI, dos seus precursores medievais e dos seus sucessores modernos.
O que é que o cristianismo oferece para a libertação da humanidade? Em primeiro lugar, não uma doutrina, uma concepção da vida ou um plano do mundo, mas homens e mulheres concretos reunidos em comunidades. A contribuição do cristianismo são as comunidades cristãs espalhadas pelo mundo. Por isso é falsa a tese de que Jesus não quis comunidades, mas o reino... O reino meus caros, são as comunidades em ação...
Essas comunidades são Jesus Cristo no meio de nós. Se Jesus fosse apenas uma pessoa do passado, ele traria à humanidade alguns exemplos, alguns conceitos, algo semelhante à contribuição dos fundadores das grandes religiões. Ora, Jesus Cristo torna-se presente e multiplica-se pelo mundo inteiro pela presença das comunidades cristãs que reunem-se ao redor da mesa. Estas trazem algo novo, algo específico que é a sua ação que chamamos de reino. O agir das comunidades cristãs no meio do mundo é a contribuição cristã à libertação. As doutrinas, as idéias, os temas cristãos somente contribuem na medida em que o agir das comunidades lhes dá um conteúdo concreto. Por isso mesmo a primeira referência de todos os conceitos antropológicos cristãos é a vivência ao redor da mesa das comunidades cristãs. A própria Bíblia somente traz um conteúdo histórico real se ela vive pelo agir ao redor da mesa das comunidades concretas.
O agir a partir da plataforma da mesa das comunidades chama-se "evangelização": este é o dado antropológico novo que contém a parte do cristianismo na libertação da humanidade.
A evangelização do resgate do Evangelho da Vida traz aos homens uma verdade sobre si próprio. Como dizia Puebla, é missão das comunidades cristãs trazer uma verdade sobre o homem. Esta verdade não é uma doutrina, um ensinamento, um conjunto de conceitos. A verdade é uma força que denuncia e destrói a cultura de morte e a mentira, a verdade é o nascer da realidade nova, ou seja uma vida segundo o espírito do Cristo Ressuscitado. Pela sua ação as comunidades fazem com que possa nascer a realidade da humanidade, uma realidade nova: A realidade da mesa partilhada! Entretanto, vamos juntos nesta missão continental resgatar o Evangelho da Vida!(adaptação do pensamento eclesiológico e antropológico de José Comblin).

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